Medicamentos na gestação - parte 2



Em alguns casos, a medicação se torna imprescindível porque a gestante apresenta algum distúrbio que pode trazer complicações importantes para a gravidez ou mesmo que possa colocar sua vida em perigo. Nestes casos, a falta de tratamento compromete mais a gestação do que o uso do remédio em si.

Conheça estas exceções:

Hipertensão - se não for controlada, a elevação da pressão arterial da mãe ocasiona retardo no crescimento intra-uterino, parto prematuro e nascimento de bebês de baixo peso. Estudos comprovaram a segurança de algumas drogas anti-hipertensivas como certos betabloqueadores;

Diabetes - taxas altas de açúcar no sangue da gestante podem levar a malformações e à morte fetal. O tratamento é feito com dieta hipocalórica (orientada por uma nutricionista especializada e exercícios físicos orientados por um personal especializado em gestantes) e, muitas vezes, com o emprego da insulina;

Epilesia - embora as drogas para controle do distúrbio não sejam totalmente isentas de riscos, é preciso avaliar bem a relação custo/benefício. Crises convulsivas freqüentes podem comprometer a oxigenação do bebê, por isso os remédios são mantidos;

Depressão - se a gestante tiver depressão leve, uma psicoterapia é suficiente para ajudá-la a recuperar o equilíbrio emocional. Mas em casos moderados e graves, talvez não seja o bastante. Quando o risco de suicídio é grande, o antidepressivo precisa ser administrado. Mulheres com depressão crônica são mais vulneráveis à depressão pós-parto, por isso, a medicação não é interrompida;

Doenças infecciosas - a mais comum é a infecção urinária, que se não for bem tratada com antibióticos, pode acarretar em parto prematuro. Existem antibióticos seguros para uso na gravidez, prescritos quando o distúrbio é diagnosticado por exames;

Corrimentos vaginais - a queda na imunidade que ocorre nos nove meses torna as gestantes mais predispostas a inflamações genitais. A falta de tratamento pode levar ao parto prematuro. Alguns cremes são permitidos para uso na gravidez;

Distúrbios da tireóide - o hipotireoidismo é um quadro bastante comum e requer tratamento porque a falta do hormônio da tireóide na gestação está relacionada a uma certa diminuição do QI do bebê, trazendo como conseqüências dificuldades de aprendizado na idade escolar. O excesso de hormônio (hipertireoidismo) também traz prejuízos e precisa ser tratado, pois eleva o índice de abortos no primeiro trimestre.

Como lidar com outras situações?

Enjôos - fracione as refeições para não ficar muitas horas em jejum. Prefira alimentos gelados e evite comida gordurosa. Se não resolver, os ginecologistas, às vezes, prescrevem dimenidrinato isolado ou associado à vitamina B6 ou metoclopramida. Outra opção é a acupuntura, que dá bons resultados em casos de náuseas e vômitos e é permitida desde o começo da gestação;

Resfriados - dores e febres são controladas com paracetamol, mediante prescrição médica. Os descongestionantes nasais estão proibidos, pois podem estreitar os vasos da placenta e comprometer o fluxo de sangue para o bebê. É melhor pingar nas narinas soro fisiológico ou fazer inalação só com o soro. Nada de drogas contra tosse, especialmente as que contêm codeína e formulações à base de guaco. Prefira mel com limão;

Inchaço - reduza o sal na comida, descanse com as pernas elevadas e faça exercícios físicos para ativar a circulação;

Enxaqueca - analgésicos mais fortes não são recomendados e os remédios para prevenir as crises também estão fora de questão. O médico pode recomendar paracetamol e, como segunda opção, dipirona. A acupuntura também traz alívio. É conveniente que se verifique resistência à insulina (causa freqüente de enxaquecas) e se confirmada, poderá ser tratada;

Insônia - leite quente com mel antes de dormir pode trazer conforto. Massagens relaxantes e acupuntura também são boas dicas.

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Dr. Renato Kalil

Diretor Clínico

CRM-SP 62703