Importância da imagem para a obstetrícia



Até aproximadamente 20 anos atrás, para ter idéia de como evoluía a gravidez de uma mulher, o médico tinha de contentar-se com os próprios sentidos. Fazia o toque vaginal, palpava o útero com as duas mãos, tentava ouvir o batimento cardíaco do feto encostando um aparelho rudimentar na barriga da mãe... A cavidade uterina era uma espécie de caixa preta que guardava segredos até o nascimento do bebê. 

Apenas com o advento da ultra-sonografia que se pôde visualizar o interior do útero para saber como o feto estava se desenvolvendo. Nestes últimos anos, os aparelhos de ultra-som se sofisticaram muito e tornaram possível obter imagens muito nítidas da criança e do interior da cavidade uterina. Essas imagens não só satisfazem a curiosidade dos familiares, mas permitem que os médicos tenham acesso ao local, introduzam agulhas para colher material para exame e avaliem as condições de saúde da gestante e do feto.

Esse tipo de tecnologia evoluiu a tal ponto que se transformou numa área especializada da medicina que se chama Medicina Fetal. "A medicina fetal tomou impulso quando apareceram os aparelhos de ultra-som mais modernos, com maior potência e maior possibilidade de visualização do feto. Deste ponto em diante, o ultra-som passou a ser muito valorizado e evitou, em muitas vezes, a realização de procedimentos invasivos, como a amniocentese e o exame do vilo corial. O boom dessa especialidade ocorreu por volta da década de 1990, quando surgiram as sondas transvaginais de ultra-sonografia que permitiram fazer diagnósticos precoces de malformações ou do bem-estar fetal, bem no início da gravidez.

Hoje, a utilização do ultra-som permite que se faça a detecção pré-natal das anomalias congênitas, logo nos três primeiros meses de gravidez - entre a 11ª e 14ª semana. Por meio deste recurso, realiza-se o diagnós-tico precoce ou o rastreamento cromossômico, possibilitando a identificação das condições do bebê e se há malformações genéticas. O exame tem papel importante também em casos de gravidez múltipla, como a trigemelar, em que há uma alta incidência de nascimentos prematuros. Aqui, torna-se necessário monitorar o tamanho do colo uterino e associá-lo com o desenvolvimento da gestação. Em 70% dos casos, o parto dos trigêmeos ocorrerá antes de 32 semanas de gestação. Desta forma, o acompanhamento médico especializado é fundamental para reduzir esse índice e prolongar o período gestacional.

Em outras situações, a exemplo daquelas em que o feto apresenta doenças hemolíticas, como a anemia, e geralmente torna-se necessária a transfusão sanguínea fetal intra-uterina, o diagnóstico de um especialista associado ao uso do ultra-som pode ser capaz de adiar ao máximo este procedimento invasivo ou, até mesmo, evitar que ele seja feito, graças a uma avaliação seriada do fluxo sanguíneo fetal. 

Com o avanço dos estudos científicos e dos recursos tecnológicos disponíveis e alcançados nos últimos anos, é possível acompanhar e avaliar permanentemente o bem estar e a vitalidade do feto. O ultra-som de alta definição é uma ferramenta importantíssima nesse processo, porque possibilita a avaliação fetal completa, a análise global - mãe e feto - e a definição de tratamentos a serem implementados. Com tantos avanços disponíveis é preciso capacitar os médicos a utilizarem adequadamente estes instrumentos diagnósticos, lembrando sempre que o exercício da medicina moderna é baseado na tecnologia, mas continua calcado na relação humana, na comunicação adequada, no vínculo afetivo e no respeito pelo paciente.

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Dr. Renato Kalil

Diretor Clínico

CRM-SP 62703