Higiene bucal durante a gestação



A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo divulgou o resultado de um levantamento feito com 2.000 gestantes em um hospital público paulista, onde quase metade das mulheres - 988 mulheres, ou 49,4% do total - apresentavam algum problema bucal, como gengivite ou cárie. Durante a gestação ocorrem várias alterações no organismo da mulher que, associadas a algumas mudanças nos hábitos de vida, podem levar ao aparecimento ou ao agravamento de problemas dentários. Nada que uma boa escovação, uma dieta adequada e um acompanhamento odontológico não possam prevenir.

Muitos problemas bucais desta fase são causados pela falta de cálcio na dieta da mãe. O bebê literalmente 'rouba' o cálcio da mãe e isso pode enfraquecer os dentes da gestante. Como o corpo da mulher não deixa faltar nada para o feto, se o seu estoque de cálcio for insuficiente para os dois, o organismo feminino começa a mandar a substância contida nos ossos e nos dentes. É por isso que a ingestão de cálcio deve aumentar na gravidez, se necessário, deve ser feita a suplementação deste mineral.

Um tratamento dentário bem indicado pode prevenir outros problemas na gestação, como o nascimento prematuro. Uma infecção na boca leva o corpo a produzir maior quantidade de prostaglandinas, substâncias que causam contrações no útero e podem antecipar o nascimento.

Tratamentos permitidos

Se a gravidez for programada, a futura mamãe deve passar por uma avaliação prévia para receber informações quanto aos cuidados que devem adotar durante este período, visando prevenir que ocorram problemas durante a gestação. 

Além de prevenir as doenças bucais, a gestante deve contar também com o acompanhamento odontológico durante os nove meses da gestação. A alteração dos hormônios na gravidez faz com que as fibras que formam a gengiva fiquem alteradas, facilitando o acesso de bactérias que causam a gengivite. Um dos sintomas mais comuns desta doença é um sangramento intenso espontâneo ou que aparece durante a higienização.

Por outro lado, é bom saber que existem algumas diferenças na abordagem do profissional com a mulher que espera um filho. Alguns procedimentos são desaconselháveis durante os três primeiros meses de gestação, mas isso não impede que se tratem problemas importantes no restante do período. Em relação à saúde bucal, a grávida, até algum tempo atrás, era uma paciente cercada de muitas crenças falsas: não pode isto, não pode aquilo...

Costumamos ouvir até hoje, por exemplo, que a gestante não pode fazer um raio X dentário. Não é bem assim! É preciso saber que a quantidade de radiação durante a radiografia é muito pequena e dificilmente irá interferir na formação do feto. Mesmo assim, só indicamos esse procedimento em casos estritamente necessários e para as gestantes que já passaram do primeiro trimestre. Além disso, costumamos proteger a futura mamãe com um avental de chumbo na altura do abdome para impedir a passagem da radiação.

Também já ouvimos muito que grávida não pode tomar anestesia, o que não corresponde à verdade. Os anestésicos locais podem ser usados, desde que não tenham substâncias vasoconstritoras. Por exemplo, se precisarmos fazer uma extração para debelar uma infecção, não há como fazer isto sem o emprego de uma anestesia.

Outro mito muito propagado é o de que as grávidas têm mais cáries. Devido às oscilações hormonais, o pH da boca se torna mais ácido, o que pode propiciar o aparecimento de cáries. Mas o que observamos na prática clínica é que são o conjunto de hábitos, tais como: comer mais vezes por dia, exagerar nos doces e ainda fazer uma escovação deficiente é que tornam fato o aumento das cáries.

É preciso orientar a gestante sobre a importância da escovação caprichada, todas as vezes, em que ela se alimentar e também sobre a diminuição do consumo de alimentos doces. Já acompanhamos gestantes que enjoavam só de tocar a pasta de dente na língua e, portanto, acabavam deixando de lado a higiene bucal. Para este grupo, recomendamos o aumento do número de vezes do uso do fio dental e a diminuição da quantidade de pasta na escova. Para estas mulheres, as limpezas no consultório precisam ser intensificadas.

Comuns no primeiro trimestre, os vômitos deixam o meio bucal mais ácido, perigoso para o esmalte dos dentes. Por isso, depois da indisposição, é necessário fazer bochechos com água ou colutórios bucais para eliminar restos do fluído.

A restauração dentária é outro procedimento que pode ser realizado durante a gestação, pois não utiliza nenhum material ou produto que possa prejudicar o bebê. 

Já em relação aos tratamentos estéticos, não há nenhum estudo que comprove que o laser ou outras substâncias usadas para clarear os dentes ou corrigi-los possam prejudicar o feto. O ideal é adiar os procedimentos estéticos para depois do nascimento. Durante a gravidez, devemos focar principalmente nos cuidados redobrados com a higiene bucal.

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Dr. Renato Kalil

Diretor Clínico

CRM-SP 62703