Gravidez e gripe suína



Desde que a epidemia de gripe suína se espalhou pelo mundo, um grupo em especial, o das gestantes, está em alerta. As grávidas, assim como idosos e crianças, são consideradas um grupo de alto risco para a infecção. No nosso atendimento diário, temos investido em prevenção e informação para não criar pânico sem necessidade entre as gestantes. É preciso lembrar que, na gestação, há outros vírus mais graves que o influenza A (H1N1). O ideal é que a gestante não seja infectada por nenhum deles, principalmente no primeiro trimestre, quando está acontecendo a divisão celular fetal. A principal recomendação é evitar locais fechados e grandes aglomerações, pois estes ambientes podem permitir a circulação do vírus e aumentar a probabilidade de contaminação. Depois, reforçarmos os apelos para que a grávida lave bem as mãos. Lavar as mãos com água e sabão é uma das formas de evitar contágio de doenças infecto-contagiosas.

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), as gestantes são mais vulneráveis às gripes, tanto a comum quanto a H1N1. Por isso, a entidade recomenda que elas devem ter prioridade para receber tratamento com antivirais até 48 horas, após o início dos sintomas. Entidades de saúde em todo o mundo pesquisam o motivo pelo qual a mortalidade tem sido alta entre as gestantes, mas um dos possíveis fatores é a redução da imunidade entre essas mulheres, além da diminuição da capacidade pulmonar, nos três últimos meses de gestação. As mudanças esperadas para qualquer gestação normal, como alterações respiratórias, cardiovasculares e imunidade reduzida, facilitam a infecção por esse vírus e as complicações que ele causa, como rápida evolução - em até 48 horas - para pneumonia e septicemia. O risco é ainda maior para as mulheres que têm problemas respiratórios prévios à gestação, como asma e bronquite, porque o sistema respiratório já está debilitado.

Se a mãe pegar a gripe suína, o bebê também corre risco. Febre alta da mãe pode ser prejudicial para o embrião, se ocorrer nas primeiras 6 semanas, e favorecer a ocorrência de alguma malformação congênita. Já se a infecção e a febre incidirem no final da gravidez podem provocar um parto prematuro.

Diante dos sintomas

Os sintomas da gripe A em gestantes são os mesmos de uma gripe comum, com dores musculares, tosse, coriza e febre superior a 38° C. Vômitos e diarréia também podem acontecer. Diante destes sintomas, a gestante deve procurar o médico que a acompanha imediatamente. É muito importante que a grávida não se automedique. Em todos os estágios da gravidez, a gestante deve tomar antivirais apenas se mostrar sinais graves e perspectiva de piora.

Para reafirmar o poder dos antivirais contra a gripe H1N1, a revista Nature divulgou um estudo que indica estes medicamentos como a única forma efetiva no tratamento inicial da influenza A. Remédios como Tamiflu e Relenza atuam impedindo que o vírus saia das células em que se instalou e vá para as sadias, impedindo progressos da doença e reduzindo a infecção já estabelecida. Estes medicamentos devem ser utilizados até 48 horas após o contágio. Depois deste período, os antivirais perdem a capacidade de funcionar adequadamente no organismo.

Vacina em teste

Até o fim deste ano, um milhão de doses da vacina contra influenza A (H1N1) chegará ao Brasil. As demais serão produzidas pelo Instituto Butantan, em São Paulo. Segundo o Ministério da Saúde, ainda não estão definidos os grupos prioritários para receber a vacina, que estará disponível no primeiro semestre de 2010. Tudo indica que, assim como orienta a OMS, profissionais de saúde, grávidas, idosos e crianças serão os primeiros beneficiários.

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Dr. Renato Kalil

Diretor Clínico

CRM-SP 62703