Cirurgia de estômago x deficiência de vitamina A



Mulheres que consideram fazer a cirurgia bariátrica precisam fazer uma suplementação alimentar apropriada antes de engravidarem. Segundo estudo publicado pelo oftalmologista Glen Gole do Royal Children's Hospital, na Austrália, a cirurgia de redução do estômago pode causar uma deficiência de vitamina A tão grave, capaz de tornar uma criança cega, antes mesmo do nascimento.

Cole documentou o caso de uma mulher que realizou a cirurgia bariátrica sete anos antes de engravidar. Com apenas nove semanas de gravidez, a mãe foi diagnosticada com grave deficiência de vitaminas A, D, K e de ferro. Quando a criança nasceu, o bebê apresentava malformações significativas em ambos os olhos. O estudo do caso ilustra bem a importância da vitamina A para o desenvolvimento normal dos olhos do feto, especialmente para mulheres que desejam engravidar e se submeteram à cirurgia bariátrica.

Como cerca de 50% das cirurgias para tratamento da obesidade são realizadas em mulheres em idade fértil, muitas delas com grande dificuldade de engravidar - antes da cirurgia bariátrica - devido aos vários problemas causados pela obesidade que afetam a ovulação, é muito importante disseminar entre estas mulheres a informação que as técnicas classificadas como by pass desviam o alimento de importantes rotas absortivas e podem levar à deficiência de vários micronutrientes importantes para à saúde materno fetal.

A vitamina A é um micronutriente essencial para diversos processos metabólicos, como a diferenciação celular, o ciclo v isual, o crescimento, a reprodução e o sistema imunológico. Apresenta especial importância durante os períodos de proliferação e rápida diferenciação celular, como na gestação, período neonatal e infância.

A deficiência de vitamina A, DVA, é uma doença nutricional grave e uma das mais freqüentes causas de cegueira prevenível em crianças, além de contribuir para o aumento das mortes e doenças infecciosas na infância.

A falta de vitamina A provoca a queratose - pele áspera e seca - e pode levar à xeroftalmia, cuja forma clínica mais precoce é a cegueira noturna, por meio da qual a criança não consegue boa adaptação visual em ambientes pouco iluminados. Uma das manifestações mais acentuadas da xeroftalmia é a mancha de Bilot.

Estima-se que 10 a 20% das gestantes sejam acometidas pela cegueira noturna, sintoma da deficiência de vitamina A, e que a mesma se associe com risco cinco vezes maior de mortalidade materna nos dois anos pós-parto.

As gestantes com cegueira noturna e DVA também parecem estar mais predispostas às intercorrências e complicações gestacionais, tais como aborto espontâneo, anemia, pré-eclâmpsia, eclâmpsia, náuseas, vômitos, falta de apetite e infecções do trato urinário, reprodutivo e gastrointestinal. Neste contexto, a suplementação de gestantes que apresentam est a carência nutricional, vem cada vez mais, ganhando espaço durante a atenção pré-natal, especialmente entre as pacientes gastroplastizadas.

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Dr. Renato Kalil

Diretor Clínico

CRM-SP 62703