A maternidade atrapalha a carreira?



Com a carreira nos trilhos, a mulher passa a achar que chegou a hora de realizar o antigo sonho da maternidade. Quem já passou por isso, no entanto, sabe que tomar a decisão de engravidar nem sempre é fácil. Equilibrar-se nos papéis de mãe e profissional é um dos principais desafios da mulher.

Foi-se o tempo em que ser mãe era motivo para uma mulher desistir de uma carreira bem-sucedida. Hoje, as profissionais estão se dando conta de que a maternidade potencializa as competências e ajuda na gestão da carreira e dos negócios. Mas para que esta experiência possa ser bem sucedida, é preciso que a mulher abra espaço para a maternidade na sua vida. A seguir, relacionamos algumas atitudes que podem auxiliar a mulher que deseja ser mãe:

1) Planeje a gravidez - levando-se em consideração o local em que se trabalha, é possível planejar a gravidez e comunicar a decisão à empresa com antecedência. Esta é uma das maneiras eficientes de evitar eventuais conflitos. É possível tirar a licença-maternidade num momento mais sossegado da vida profissional. Além disto, com exceção de indicação médica contrária, as mulheres grávidas podem trabalhar, normalmente, até o nono mês. Procurar agendar as consultas médicas fora do expediente também é uma boa medida para não prejudicar o próprio desempenho. Montar uma rede externa de apoio ao bebê - babás e suporte de parentes próximos - ajuda a garantir tranqüilidade para as mães na volta ao trabalho. Mesmo assim, é natural a saudade da convivência com o pequeno. Nesse caso, é bom lembrar que as mulheres que trabalham fora costumam dedicar a seus filhos o mesmo tempo que as donas de casa dos anos 60. O planejamento é importante e pode ajudar, porém não garante o domínio total sobre os acontecimentos. Flexibilidade é muito importante na conciliação da carreira com a maternidade e o ideal deve ser construído de acordo com a realidade. Quem pensa que uma excelente mãe é aquela que acompanha tudo que o filho faz, o tempo todo, engana-se, pois uma relação saudável com o filho é construída na qualidade do vínculo mãe-criança e isso não tem a ver com um maior número de horas disponíveis para ele.

2) Escolha o melhor momento - Qual é a melhor época para interromper o trabalho e trazer uma nova criança ao mundo? Esta resposta é muito particular, cada mulher vai encontrar a sua própria resposta. Não há regras e tudo depende do lugar em que a pessoa está. Algumas mulheres esperam a estabilidade profissional e emocional da faixa dos 40 anos, enquanto outras acham que aos 20 anos podem parar para ter o bebê e correr atrás do desenvolvimento profissional depois.

3) Pondere suas escolhas - A decisão pela maternidade na faixa dos 20 aos 25 anos pode acabar interrompendo os estudos e dependerá do grau de maturidade da mulher para superar os obstáculos e seguir adiante. Haverá três grandes responsabilidades simultâneas: a casa, o estudo e a empresa. Se ela não estiver preparada ou se não contar com o apoio da família, poderá abandonar tudo no meio do caminho, resultando em grandes frustrações e infelicidade. Já na faixa dos 25 aos 30 anos, os estudos provavelmente já estarão concluídos, além disso, a mulher poderá contar com um maior amadurecimento, o que ajudará no trato com a criança e no relacionamento com o marido em meio aos novos papéis de cada um. Na casa dos 40, a mulher, muitas vezes, já conseguiu uma maior estabilidade financeira e auto-conhecimento, o que pode ajudá-la a vivenciar a maternidade de forma mais plena e menos dividida com outros projetos pessoais, porém, vale lembrar, que a taxa de fertilidade cai bastante nesta faixa etária, correndo-se um risco maior de não conseguir a gravidez neste momento.

4) Prepare o seu sucessor - Além de planejar o melhor momento para engravidar, uma boa medida é preparar pessoas capazes para assumir suas tarefas, durante a licença-maternidade. A empresa precisa continuar a andar, para que a ausência da profissional não provoque ressentimento nos colegas. Para assumir a função de mãe, é preciso que a profissional saia da empresa certa de que fez todo o possível para que tudo corresse na mais perfeita ordem até que ela volte.

5) Nova hierarquização de valores e prioridades - Reordenação de valores, senso mais aguçado do que realmente importa e deixar de se aborrecer com insignificâncias são essenciais para a futura mamãe. Respeitar mais os próprios limites - e também o dos outros - é uma das qualidades que a mulher ganha com a maternidade. As mudanças são impressionantes. De uma maneira geral, a mulher desenvolve mais autonomia, característica exigida pela própria criança, além de mais responsabilidade e maior acolhimento. O relacionamento com os outros também pode melhorar bastante, em virtude da maior flexibilidade, paciência e tolerância advindas com a experiência materna.

6) Após a gravidez, nada de culpa - As mulheres, em geral, sentem imensa culpa e ficam inseguras em deixar o bebê para voltar à rotina do trabalho. Se a mãe se sente muito dividida em retomar a atividade profissional, uma alternativa é investigar as causas da culpa, por meio de psicoterapia, ou alguma outra atividade que a coloque em contato consigo mesma. Para as mulheres que já apresentam em sua história uma disposição à ansiedade, à culpa e à depressão é recomendável fazer acompanhamento terapêutico desde o início da gravidez.

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Dr. Renato Kalil

Diretor Clínico

CRM-SP 62703