Sobre o congelamento dos óvulos...



Seja por motivos profissionais ou por não encontrar um companheiro, cada vez mais mulheres adiam o desejo de ser mãe para os 30, 35 ou até bem depois, além dos 40 anos. Com o incremento e a sofisticação das técnicas de reprodução assistida, hoje, é possível postergar o desejo de ser mãe com grandes chances de gerar um bebê plenamente saudável. Como? Congelando seus próprios óvulos antes que estes envelheçam. É importante esclarecer que esta técnica propicia resultados positivos, mas a experiência brasileira neste campo ainda é pequena.

O congelamento de óvulos é indicado para mulheres que estão profissionalmente ativas e que não desejam ter filhos, preservando sua idade reprodutiva. Há casos também em que o adiamento não é uma escolha, mas uma necessidade, como o de mulheres que descobrem um câncer. O congelamento é indicado para aquelas que se vão submeter a uma quimioterapia, porque esse tipo de tratamento pode causar alterações na fertilidade, podendo, às vezes, torna a mulher estéril.

Envelhecimento dos óvulos 

A mulher nasce com um a dois milhões de óvulos, mas só cerca de 500 amadurecem. Os demais regridem e são absorvidos pelo organismo, a partir da puberdade. Não sendo fecundados, são mensalmente expelidos. O período fértil de cada mulher é bastante variável, mas, em média, inicia-se por volta dos 12 ou 14 anos de idade, terminando em torno dos 45 ou 50 anos. Porém, é comum que por volta dos 35 anos, a produção de óvulos comece a declinar, bem como a qualidade dos óvulos que são produzidos. Esta é a principal razão para que os médicos alertem as pacientes para os riscos de uma gestação tardia.

Como a perda da capacidade de ovular é uma conseqüência natural do envelhecimento, os especialistas em Reprodução Humana já dispõem de meios para avaliar a produção hormonal e os órgãos reprodutivos femininos: ovários, útero e trompas. Um dos exames mais conhecidos é o teste que mede, pelo exame de sangue, o hormônio folículo-estimulante (FSH). Altas taxas de FSH, em dias específicos do ciclo menstrual, podem indicar que ocorreu um declínio na quantidade dos óvulos produzidos. Há a possibilidade de avaliar, também por meio do exame de sangue, as taxas de outros hormônios, como o estradiol, o LH e a inibina B. Alterações nas marcas dessas substâncias correspondem a quedas na quantidade dos óvulos. 

Outro recurso muito utilizado é a ultra-sonografia pélvica, por onde o especialista pode acompanhar quantos folículos estão sendo estimulados a se desenvolver em cada um dos ovários e quantos deles vão chegar ao ponto de maturidade. Entretanto, é bom destacar que nenhum dos exames citados determina a reserva folicular da mulher, ou seja, o número de anos férteis que ela ainda tem. São apenas ferramentas importantes que utilizamos para proporcionar à paciente uma espécie de panorama da fertilidade dela. Ou ainda quando estamos investigando a incapacidade de uma mulher engravidar.

Como é feito o congelamento?

O procedimento para congelar o óvulo é simples, mas exige profissionais especializados e ambiente adequado para o armazenamento. Após exames de rotina, como o ultra-som e a dosagem hormonal, o especialista em Reprodução Humana vai avaliar se a mulher tem condições de, futuramente, ser indicada para a fertilização in vitro (FIV). Após ser aprovada nesses testes preliminares, a futura mãe é submetida a um processo de estimulação feito com hormônios, que dura um mês. A paciente passa por um estímulo ovariano, produzindo um número maior de oócitos - óvulos - se comparado a um ciclo natural.

Depois desses 30 dias de estimulação, é preciso impedir a menstruação. Para que isso não aconteça, a paciente recebe, por oito dias, um medicamento que inibe o sangramento menstrual. Só depois disso é que um outro medicamento será injetado para estimular a ovulação, que passa a ser monitorada pelo médico. Definida a data da coleta, a paciente passa por uma aspiração do maior número possível de óvulos, que serão congelados em nitrogênio líquido. O procedimento é bastante eficiente, cerca de 85% dos óvulos congelados são recuperados. E as chances de fertilização são animadoras, giram em torno de 80%. Como as técnicas de reprodução assistida vêm sendo incrementadas, futuramente, é possível que esses índices se elevem.

É possível adiar com segurança o sonho da maternidade, mas não é aconselhável adiar a decisão de congelar os óvulos, pois o auge da competência reprodutiva fica em torno dos 25 anos. Quanto mais próximo dos 35 anos, inicia-se o declínio natural da qualidade dessas células, ou seja, fica mais difícil engravidar. Óvulos de mulheres mais jovens têm maiores possibilidades de êxito na fertilização in vitro.

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Dr. Renato Kalil

Diretor Clínico

CRM-SP 62703