Os novos e antigos mitos sobre infertilidade




Ainda hoje, muitos mitos sobre infertilidade rondam o imaginário popular e se perpetuam por gerações. Entre eles, que o consumo de determinados alimentos afrodisíacos como o amendoim aumentam a fertilidade, que o tratamento da infertilidade sempre resulta em gêmeos e que a mulher que sofre aborto tem menos chance de engravidar novamente.
De acordo com o Setor de Reprodução Humana da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), as estatísticas mostram que um em cada sete casais, com idades entre 30 e 34 anos de idade, apresentam problemas de fertilidade. Na faixa dos 40 anos, um em cada quatro casais sofrem complicações.
Antigamente considerava-se que a mulher era a grande responsável pela dificuldade para engravidar. Hoje, é comprovado cientificamente, que em 30% dos casos, a infertilidade é do casal. Sendo que 35% ocorrem por alterações exclusivamente femininas e 35% por fatores masculinos. Portanto, não existe um culpado.


Tabagismo e álcool
O cigarro, assim como, outros derivados do tabaco (charuto e cachimbo) possuem efeito nocivo sobre a saúde reprodutiva. Em tratamento de fertilização in vitro, as mulheres fumantes necessitam o dobro de tentativas para conquistar a gestação do que as que não fumam. Para o homem, a quantidade e a qualidade do esperma também são alteradas pelo efeito do consumo do tabaco, o que leva a uma queda de até 22% na concentração dos espermatozoides.
O consumo de bebidas alcoólicas pode resultar num inadequado funcionamento dos ovários e aumento do risco de abortamento. Para o homem, pode reduzir os níveis de testosterona (hormônio sexual masculino) e alterar a forma e a função dos espermatozoides.
Tratamento da infertilidade
Um dos mitos relacionados aos tratamentos da infertilidade é que os tratamentos de fertilização sempre resultam em nascimento de mais de um bebê. O que acontece, na verdade, é que a maioria dos casais que fazem fertilização in vitro e engravidam tem um único bebê (cerca de 75% dos casais). Em 25% dos casos nascem gêmeos.
A colocação de mais de um embrião deve-se à tentativa de aumentar a probabilidade de engravidar. Como consequência, neste grupo, acaba ocorrendo também uma elevação da taxa de gestações múltiplas. Comparativamente, a taxa de gêmeos sem dúvida é maior na população que engravida com a ajuda de tratamentos. Hoje é permitida a transferência de até dois embriões em mulheres de até 35 anos; até três embriões em mulheres com idade entre 36 e 39 anos e até quatro embriões em mulheres com 40 anos ou mais.
Preservação da fertilidade
Um dos recentes avanços da medicina reprodutiva é o aumento da eficácia do congelamento de óvulos através da técnica de vitrificação, uma oportunidade de preservar a fertilidade de mulheres que, por diversos motivos, desejam ou necessitam postergar a maternidade após os 35 anos. Atualmente, com as novas técnicas o processo de congelamento e descongelamento tem uma recuperação de 90% dos óvulos criopreservados e, o mais importante, não há diferença nas taxas de gestação usando-se óvulos frescos ou congelados.
Adiar a gravidez
Engravidar mais tarde é uma forte tendência, e parece ser irreversível com a nova postura feminina diante disto. Na Suécia, a média de idade das mulheres no primeiro filho subiu de 24 para 31 anos entre 1970 e 2008. No Brasil, os dados refletem a mesma tendência, a proporção de mães com idade de 30 a 39 anos em 1999 era de 21%, em 2009 subiu para 25%. Mas, como todos sabem, a fertilidade feminina diminui com o tempo.
O início deste declínio se dá por volta dos 30 anos, de uma maneira mais significativa após os 35 e mais acelerado a partir dos 40. Consequentemente, há uma demanda crescente para tratamentos de infertilidade. Enquanto que entre 2003 e 2009 houve um aumento de somente 9% na procura de tratamentos de fertilização in vitro com 35 anos, com 41 anos este aumento foi de 42% (CDC, EUA).
Uso da pílula anticoncepcional
Não importa o tempo que a mulher use a pílula, isso não diminui a sua fertilidade. Após a parada da pílula, geralmente, há uma retomada dos ciclos ovulatórios em um intervalo de tempo que é variável de pessoa para pessoa. Mas vale salientar: assim como não prejudica, também não preserva o estoque de óvulos. Mesmo durante o uso dos comprimidos anticoncepcionais é verificado, com o passar do tempo, um decréscimo contínuo, tanto na quantidade, quanto na qualidade dos óvulos.
Ovários e trompas
É possível, sim, engravidar com somente um ovário ou uma trompa. Mas, é observada uma diminuição na taxa de fecundidade, ou seja, a probabilidade de engravidar diminui e o tempo necessário para gestar pode aumentar muito. Nestes casos, é necessário ter atenção à associação com outros fatores que possam dificultar, sobretudo, à idade da mulher.
Vasectomia e gravidez
Quando o homem opta por fazer uma vasectomia e mais tarde resolve ter filhos sempre fica a dúvida. É possível revertê-la? Sim, é possível através da cirurgia de reversão da vasectomia, na qual os canais deferentes, que haviam sido anteriormente interrompidos, são novamente unidos. Nos casos em que esta técnica falha ou não está indicada, recorre-se à fertilização in vitro. É realizada então a retirada dos espermatozoides, por punção aspirativa, diretamente do epidídimo órgão responsável pelo estágio final de maturação dos mesmos. A seguir realiza-se a ICSI - Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoide, técnica na qual um único espermatozoide é injetado no interior de cada óvulo. Com isto, a partir da década de 90, foi possível que homens com quantidades mínimas de espermatozoides também pudessem ser pais. 
Ovários policísticos e hiperestímulo
A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) atinge de 5% a 10% da população feminina. No mundo todo, estima-se que, aproximadamente, 105 milhões de mulheres entre 15 e 49 anos de idade apresentem diagnóstico de SOP. A grande preocupação é com o risco de hiperestímulo ovariano em mulheres que sofrem a síndrome. Atualmente já há uma nova alternativa de tratamento para estas pacientes que é a maturação em laboratório dos óvulos (IVM). Nesta técnica, coleta-se os óvulos imaturos dos ovários da paciente com SOP e a sua maturação se dá em laboratório. Quando maduros estes óvulos são fertilizados e  os óvulos são transferidos ao útero da paciente. Esta técnica reduz à zero o risco de hiperestímulo. 
Endometriose
Receber o diagnóstico de endometriose não significa necessariamente que haverá dificuldades para se ter filhos. Em verdade, a maioria das mulheres com endometriose engravida naturalmente. No entanto, 30 a 40% das pacientes que são portadoras de endometriose apresentam alguma dificuldade para engravidar e necessitam de tratamento especializado. 
Alimentação e fertilidade
Existem diversas causas para a infertilidade, até mesmo genéticas, mas a alimentação tem grande importância neste contexto. Poucas pessoas sabem que certos alimentos, inclusive os ricos em fibras, ajudam a manter as células reprodutoras ativas por mais tempo, aumentando as chances de concepção, por exemplo. O sobrepeso ou a obesidade também podem reduzir a fertilidade da mulher. Uma perda de peso de 5 a10% pode melhorar os índices de ovulação e de gravidez. 
Câncer e fertilidade
A quimioterapia e a radioterapia ainda têm um efeito deletério sobre o aparelho reprodutivo, podendo acarretar uma infertilidade transitória ou permanente. Nestes casos, já é possível prevenir-se com práticas como o congelamento de óvulos, tecido ovariano, ou até mesmo de embriões, para utilizá-los no momento ideal para o casal, quando puder e quiser engravidar.
Existe uma preocupação cada vez maior em orientar a preservação da fertilidade antes de se iniciar o tratamento para o câncer. Preservar a fertilidade significa guardar os gametas (óvulos e espermatozoides) congelados para uso futuro. O congelamento é feito preferencialmente antes da paciente se submeter ao tratamento. 
Posições sexuais e gravidez
A ideia de que é melhor adotar posições em que o líquido seminal é depositado mais perto do colo do útero, facilitando a subida do espermatozoide, é uma besteira. Métodos como levantar as pernas após a relação ou apoiar o quadril em almofadas para levantá-lo não passariam de mitos. Se a mulher com menos de 35 anos não conseguir engravidar depois de um ano tentando, colocar três travesseiros embaixo do quadril ou quase plantar bananeira só será perda de tempo. O ideal é que a mulher se encontre horizontalmente na hora da ejaculação, para evitar que o líquido seminal desça pelas pernas.
 

Nome Completo

E-mail

Palavra-Chave

As informações contidas em nossa homepage têm caráter informativo e educacional. O seu conteúdo jamais deverá ser utilizado para autodiagnóstico, autotratamento e automedicação. Em caso de dúvida, o profissional médico deverá ser consultado, pois, somente ele está habilitado para praticar o ato médico, conforme recomendação do Conselho Federal de Medicina.



Dr. Renato Kalil

Diretor Clínico

CRM-SP 62703