O futuro da fertilidade



O futuro da fertilidade

Especialistas em fertilidade não recebem aplausos com frequência. Mas quando uma equipe de médicos suecos anunciou em conferência recente o nascimento do primeiro bebê de um útero transplantado, a platéia presente veio abaixo.

“Eu nunca tinha visto uma reação assim durante todos estes anos trabalhando na área”, disse Karine Chung, professora assistente em ginecologia e obstetrícia da Southern California’s Keck School of Medicine. “Este acontecimento só foi possível com muito trabalho e dedicação para chegar ao ponto onde pudéssemos transplantar um útero em uma paciente que nasceu sem e conseguíssemos um bebê vivo.”

“Apenas nove mulheres até esta data tiveram úteros transplantados, com três nascimentos vivos e algumas gravidezes em andamento”, disse Mats Brännström, médico líder da equipe da Sweden’s University de Gothenburg. E ultimamente, mesmo com o procedimento avançado, ele só pode ser utilizado em mulheres que nasceram sem útero, o que ocorre com apenas 1 em cada 5.000 mulheres.
 
Congelamento de tecido ovariano

O relógio biológico feminino soa o alarme principalmente em seus ovários, não em seus úteros. Se existisse uma forma de manter os ovários (ou pelo menos parte deles) congelados no pico da fertilidade, entre 29 e 30 anos, e pudéssemos “acordá-los” quando a mulher estivesse pronta para ter um filho?

De certa forma, existe uma maneira. É chamada de criopreservação de tecido ovariano. Fatias de tecido ovariano – ou as vezes todo o ovário – são cirurgicamente removidos e mantidos congelados, sendo depois transplantados de volta no tempo escolhido pela mulher para engravidar.

Já existem 30 casos de gravidezes de sucesso resultado do congelamento de tecido ovariano. Mas todos estes casos tem sido de mulheres que foram diagnosticadas com câncer, e tiveram seus tecidos ovarianos congelados antes da quimioterapia ou radioterapia para não terem suas fertilidades afetadas. “Tem funcionado relativamente bem, mas ainda é considerado experimental”, Chung completa.
 
Congelamento de óvulos : muda o jogo

Para as mulheres que estão sentidos seus alarmes biológicos soarem, o congelamento de óvulos representa uma saída. Os médicos podem extrair os óvulos, fertilizá-los com o espermatozóide do parceiro e congelar os embriões com grandes chances de sucesso – mas, ate pouco tempo atrás, congelar óvulos sozinhos ainda era uma caminho difícil.

Isso por que o óvulo é formado principalmente por água, e quando o óvulo é congelado e posteriormente descongelado pode haver a quebra do código genético. Um novo método de congelamento, a vitrificação, finalmente conseguiu solucionar este problema. Até hoje, mais de 2.000 bebês saudáveis já nasceram de óvulos congelados. Em 2012, a American Society for Reproductive Medicine anunciou que este procedimento não era mais considerado experimental.

“Isso representa uma grande transformação para a mulher,” diz Teresa Woodruff, diretora do Women’s Health Research Institute da Northwestern University Feinberg School of Medicine. “Isso possibilita às mulheres guardarem seus óvulos e preservarem sua fertilidade sem se preocupar com o doador masculino, ou refletir sobre se ela quer se comprometer com seu parceiro de hoje para ter um bebê”.

A maioria dos especialistas em fertilidade concordam que se você está indo congelar seus óvulos, você terá melhores chances se o fizer até os 35 anos. Em 2014, Apple e Facebook causaram furor quando anunciaram que iriam cobrir como benefício médico os custos com o congelamento de óvulos de suas funcionárias.

Mas antes de você sair correndo para congelar seus óvulos aos 30, os especialistas alertam que ainda existem muitas dúvidas. Talvés você nunca precise dos seus óvulos, e você já terá gasto muito dinheiro para congelá-los – um ciclo no Brasil custa aproximadamente R$ 15.000 e mais R$ 1.500 por ano para mantê-los congelados – além disso, você terá que decidir o que fazer com os óvulos congelados num futuro próximo.

Você também não poderá testar os óvulos que você irá congelar para saber se eles são normais geneticamente. Embriões já podem ser testados, mas óvulos não. Chung acredita que encontrar uma maneira de fazer isso seria um grande avanço, mas também acha que ainda estamos a provavelmente uma década deste acontecimento.
Congelar embriões, por outro lado, está provado ser a maneira mais eficaz para se obter sucesso em gravidez futura.

“Quando você está realizando a fertilização in vitro, a dose hormonal utilizada faz com que seu útero não esteja amigável ao embrião” Chung complementa. “Mais e mais, os especialistas estão preferindo produzir os embriões, congelá-los e transferí-los no próximo mês para que o embrião tenha mais chances de implantação.”

O que não mudou e provavelmente nunca mudará é o fato de que a fertilidade da mulher diminui conforme ela vai envelhecendo, especialmente após os 30 anos.
 
“A GENE Medicina Reprodutiva realiza vitrificação de óvulos de suas pacientes desde 2008. Este procedimento começou a ser comercializado no Brasil em 2004 e hoje encontra-se disponível nas melhores clínicas de reprodução assistida do país”, acrescenta o diretor clínico da GENE Medicina Reprodutiva Dr. Renato Kalil.
 
No horizonte: Espermatozóides e Óvulos de tubo de ensaio?

Cientistas da University of Cambridge na Inglaterra anunciaram recentemente que, pela primeira vez, eles conseguiram desenvolver células germinativas – as células primitivas que darão origem aos óvulos e aos espermatozóides – diretamente de células da pele humana, em ambiente laboratorial. A técnica precisará ser desenvolvida por provavelmente pelo menos 10 anos para poder ser testada. Mesmo assim, é um importante passo para se conseguir produzir células sexuais em tubos de ensaio, o que pode um dia permitir que casais inférteis que não produzem espermatozóides e óvulos possam ter filhos biológicos.
 
Fonte: The Future of Fertility: From Womb Transplant to Ovarian Tissue and Embryo Freezing. Medscape. Mar 02, 2015.

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Dr. Renato Kalil

Diretor Clínico

CRM-SP 62703