Mãe que fuma interfere na fertilidade dos filhos



Dois estudos publicados na revista Human Reproduction lançam novas luzes sobre como o fumo pode prejudicar a fertilidade dos embriões. Para os cientistas que realizaram os trabalhos, mães e pais devem parar de fumar, antes de engravidar.

O primeiro estudo - Cigarette smoking during early pregnancy reduces the number of embryonic germ and somatic cells - nos revela que o tabagismo materno durante a gravidez reduz drasticamente o número de células germinativas - que formam óvulos e espermatozóides - e de células somáticas, que formam todas as outras partes do corpo do feto em desenvolvimento. Os cientistas, liderados por Claus Yding Andersen, professor de Fisiologia da Reprodução Humana do Hospital Universitário de Copenhague, Dinamarca, acreditam que estas interferências na formação celular podem ter um efeito adverso sobre a fertilidade do bebê na vida adulta.

A equipe dinamarquesa descobriu que o número de células germinativas teve uma redução de 55% nos embriões de mães que fumaram, em comparação com os de mães não-fumantes. O número de células somáticas encontrado também foi bem menor nas mães fumantes, cerca de 37% a menos. Os pesquisadores constataram que as células germinais são mais suscetíveis aos danos causados pelo tabagismo do que as células somáticas. O primeiro trimestre é o momento crucial da gestação, quando os órgãos genitais do embrião em desenvolvimento estão se diferenciando para formar testículos ou ovários. "Como as células germinativas de embriões formarão os espermatozóides e os óvulos, no futuro, é possível que o efeito negativo sobre o número de células germinativas, causadas pelo tabagismo materno, durante a gravidez, possa influenciar a fertilidade futura da prole", defende Andersen. 

No segundo estudo - Protamine contents and P1/P2 ratio in human spermatozoa from smokers and non-smokers -, os estudiosos, sob o comando de Mohamed Hammadeh, chefe do Laboratório de Reprodução Assistida no Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Universidade do Saarland, na Alemanha, analisaram proteínas, chamadas protaminas, encontradas no esperma de homens que fumam e compararam as amostras com a de homens não fumantes. As protaminas desempenham um importante papel no desenvolvimento do esperma - são necessárias para o processo que resulta na formação dos cromossomos durante a divisão celular - e, portanto, têm um efeito direto na fertilidade masculina, no futuro.

Segundo Mohamed Hammadeh, o esperma de fumantes sofre de uma deficiência de protamina provocada pela fumaça do cigarro. Esta deficiência pode ser a razão para a infertilidade, no futuro. O estudo alemão também revelou que os níveis de estresse oxidativo - conhecido por causar danos ao DNA do esperma de diversas maneiras - são maiores nos fumantes, do que em não-fumantes.

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Dr. Renato Kalil

Diretor Clínico

CRM-SP 62703