Homens que desejam mais um filho



Um novo casamento... Um casal que já criou os filhos... Motivos religiosos... A perda de um filho... Dor no local da cirurgia... São muitos e variados os fatores que levam um homem a desejar a reversão da vasectomia. Casais cuja causa da infertilidade é a vasectomia prévia podem ser tratados de duas formas. Uma delas é a reversão da vasectomia, por meio da recanalização dos vasos deferentes, cuja realização por microcirurgia produz bons resultados em termos de permeabilidade e de taxas de gravidez. 

A outra possibilidade terapêutica é a realização de uma fertilização in vitro, com resultados igualmente aceitáveis em relação à taxa de gravidez. A escolha de um ou outro procedimento depende de alguns elementos diagnósticos que devem ser discutidos pelo casal e pelo especialista em Reprodução Humana que os assiste. 

Existem parâmetros mostrando quando o casal pode reverter a vasectomia e qual a expectativa que eles podem alimentar em relação aos resultados. Reverter a vasectomia significa repermeabilizar os deferentes e, eventualmente, obter espermatozóides. O índice de gravidez, porém, cai com o tempo. Dez anos depois de feita a vasectomia, a probabilidade de gravidez oscila entre 30% e 40%. 

Nos casos onde as chances de uma gravidez natural são menores, o casal pode contar com o apoio da reprodução assistida, como a fertilização in vitro. Hoje, é possível retirar um espermatozóide do testículo, introduzi-lo no óvulo da esposa e implantá-lo no útero da mulher para obter a gravidez desejada. A coleta do espermatozóide do testículo pode ser feita por punção ou durante uma biópsia testicular, método que permite a gravidez em 90% dos casais inférteis, inclusive quando o homem tem azoospermia, isto é, ausência total de espermatozóides no sêmen.

Fatores que influem na escolha do método terapêutico

Tempo da vasectomia influi na taxa de gravidez


Quanto maior o tempo da vasectomia, menores as taxas de gravidez. A reversão da vasectomia é um ato tecnicamente viável e possível. Se a reversão for feita três ou quatro anos depois da vasectomia, em 90% dos casos, o espermograma será bom, e, em 70% dos casos existe a chance de a mulher engravidar. À medida em que o tempo passa, a hiperpressão no epidídimo vai gerando fibrose e surgem obstruções não no lugar em que foi feita a ligadura, mas abaixo desse ponto, o que complica a cirurgia. Embora o índice de repermeabilização seja sempre o mesmo, os espermatozóides não aparecem. Então, em vez de tirar aquele segmento e ligar os dois ductos deferentes, é preciso levá-los ao epidídimo, num ponto próximo a esses que apresentam fibrose, fazendo uma conexão que deixa de fora a área obstruída.

Forma de realização da vasectomia é determinante na possibilidade de reversão

Se houve cauterização extensa ou se foi retirado um fragmento de maior comprimento dos vasos deferentes, a reversão pode não ser possível por falta de possibilidade material para efetuar a recanalização.

Forma de reversão influi no resultado

A utilização de técnicas microcirúrgicas - realizadas com o microscópio cirúrgico - produzem resultados de quase 100% de recanalização. Técnicas com a utilização de lupa cirúrgica ou a olho nu produzem resultados menores. A cirurgia para reversão da vasectomia é delicada e exige um microscópio capaz de aumentar entre 20 e 25 vezes a área cirúrgica, porque o tubo epididimálio é minúsculo.

Permeabilidade tubária da mulher influi na decisão 

Se o desejo de reverter a vasectomia está ligado ao de uma gravidez natural deve ser verificada a boa funcionalidade tubária da mulher e pesquisados outros fatores que possam comprometer a fertilidade natural. Pelo menos uma avaliação do potencial tubário da mulher deve ser realizada antes da decisão de reverter ou não a vasectomia.

Taxa de gravidez é menor, de acordo com a idade da mulher

Até 30 anos, a reversão da vasectomia produz cerca de 64% de gravidez; de 30 a 35 anos, 49%. A partir de 36 anos, a taxa é no máximo 30%. A probabilidade de má formação embrionária aumenta muito a partir dos 37 anos de idade da mulher. Para prevenir este tipo de problema, podemos empregar as técnicas de fertilização in vitro, que permitem que o embrião seja analisado em relação aos seus cromossomos (diagnóstico pré-implantacional), reduzindo a probabilidade de má formação. Assim, se a mulher do paciente vasectomizado tiver mais de 37 anos, é preferível a realização de fertilização in vitro, ao invés da reversão da vasectomia.

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Dr. Renato Kalil

Diretor Clínico

CRM-SP 62703