Como a tecnologia está auxiliando a medicina reprodutiva?



A tecnologia já está incorporada às nossas vidas há algum tempo. E, além das novidades voltadas para o entretenimento, à comunicação e à segurança, os avanços tecnológicos, quando aplicados no campo da medicina, podem surpreender ainda mais. A medicina está cada vez mais próxima da tecnologia de ponta. Hoje, robôs já servem como assistentes para médicos, contamos com inúmeros e sofisticados programas de diagnósticos por imagem e pacientes já são monitorados à distância, por meio de aparelhos. 

A medicina, para ser bem exercida, hoje, precisa ser calcada em três pilares: no contínuo aperfeiçoamento de seus profissionais; nas pesquisas de novos medicamentos, e no avanço da tecnologia, que permite medições, acompanhamentos e diagnósticos cada vez mais precisos. Esses três aspectos somados facilitam a tomada de decisão por parte do profissional de saúde e proporcionam maior eficácia ao tratamento oferecido ao paciente.

A ação conjunta dos profissionais de tecnologia da informação com os profissionais da saúde irá marcar os próximos anos da Medicina. É a parceria destes profissionais que possibilitará o desenvolvimento de novos softwares acoplados a equipamentos de diagnóstico ou mesmo a robôs que auxiliarão em cirurgias, além do desenvolvimento de ferramentas para educação de médicos e do público geral. Isto sem falar nas soluções para acesso e armazenamento dos dados médicos: prontuários eletrônicos, redes digitais, bancos de dados.

PGD

No campo de atuação da medicina reprodutiva, o emprego das novas tecnologias na medicina é muito marcante. Nesta área de atuação, o diagnóstico genético pré-implantacional, chamado de PGD é um bom exemplo dos avanços agregados à medicina pela tecnologia. O exame permite que embriões sejam testados perante uma doença genética antes de sua transferência para o útero materno, ou seja, antes do inicio da gestação.

O exame, não invasivo, permite separar os embriões portadores de algum tipo de desordem genética, transferindo para o útero materno apenas os embriões saudáveis, beneficiando principalmente casais com alto risco genético, como doenças de etiologia autossômica dominante ou recessiva.

O PGD requer, necessariamente, que a fecundação seja realizada via fertilização in vitro (FIV). Pois é durante o procedimento de ICSI, que é efetuada a biópsia: uma célula embrionária - blastômetro - é removida do embrião no terceiro dia, sem comprometer o seu desenvolvimento, e, em seguida é feita a análise genética. A constituição cromossômica destes blastômeros pode ser analisada por diferentes testes genéticos, como a hibridização fluorescente in situ (FISH) ou a reação em cadeia da polimerase (PCR). 

A PCR permite detectar defeitos genéticos envolvendo um único gene, tais como fibrose cística, anemia falciforme, doença de Tay-Sachs, entre outros. Já as alterações cromossômicas numéricas e constitucionais podem ser determinadas por meio da FISH, assim como o sexo dos embriões, usando sondas específicas para os diferentes cromossomos.

Aos poucos, o PGD vem se tornando, parte dos programas de FIV, visto que aproximadamente 50% dos embriões podem apresentar alterações cromossômicas e 60% dos abortos de primeiro trimestre podem estar relacionados com essas alterações. Com a identificação e separação dos embriões geneticamente normais, o índice de sucesso de uma gestação aumenta significativamente. 

Outra aplicação do PGD está relacionada com a idade materna avançada, comum entre as pacientes que procuram as clínicas de reprodução assistida. Estas pacientes, normalmente demonstram insegurança quanto ao risco de malformações fetais, cuja incidência é diretamente proporcional à idade materna. Como o PGD permite a determinação do sexo de cada embrião, pode-se prevenir também as moléstias relacionadas ao cromossomo sexual, como a hemofilia e a síndrome do X-frágil.

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Dr. Renato Kalil

Diretor Clínico

CRM-SP 62703