Células-tronco podem auxiliar no tratamento da infertilidade



Pesquisas com células-tronco... Embora este seja o assunto mais atual em Medicina, não é de hoje que os cientistas atentam para a importância do estudo das células-tronco. Desde a fundação da teoria celular, em 1839, pelo fisiologista alemão Theodor Schwann, a capacidade de gerar, a partir de apenas uma única célula, um organismo adulto completo, fascina a ciência. 

No início do século 20, vários pesquisadores, como os alemães Hans Spermann e Jacques Loeb, começaram a decifrar os segredos das células-tronco por meio de experimentos com células de embriões. O sonho biotecnológico se tornou mais palpável em 1998, quando a equipe do biólogo James Thomson, na Universidade de Wisconsin (EUA), conseguiu isolar as primeiras células-tronco de embriões humanos. Nesse mesmo ano, também foram isoladas células embrionárias germinativas humanas, derivadas das células reprodutivas de fetos, pelo embriologista John Geahart, da Universidade Johns Hopkins (EUA).

Após o seqüenciamento do Genoma Humano, em 2000, avançamos muito. A Medicina, antes baseada apenas na anatomia e na fisiologia, entrou numa nova era, a era da terapia gênica e da manipulação celular. Com o genoma decodificado, muitas doenças serão evitadas e outras curadas por manipulação dos genes.

Com a anuência do Supremo Tribunal Federal, STF, o Brasil pode agora, enfim, investir nas pesquisas com o emprego das células-tronco embrionárias. Terá também que tirar o atraso em relação aos EUA e a alguns países da Europa, como a Inglaterra. No Reino Unido, a discussão nos tribunais está bem mais avançada. A Suprema Corte britânica acaba de liberar o uso de embriões híbridos, que têm material humano e de vaca. 

Pode não ser hoje, nem amanhã, mas na próxima década espera-se que muitas doenças possam ser curadas graças ao desenvolvimento da terapia celular. As células-tronco, presentes em vários tecidos humanos, como no cordão umbilical, em células embrionárias na fase de blastócito, na polpa do dente de leite e no líquido amniótico têm a capacidade de se multiplicar e se transformar nos mais diferentes tecidos. Muitos estudos já estão sendo conduzidos para sua aplicação na regeneração de tecidos nervosos, da retina e de órgãos como o fígado e o coração. 

O alcance dessa nova possibilidade terapêutica pode atingir objetivos nunca antes imaginados. Com o avanço das pesquisas torna-se viável, nas próximas décadas, sonhar com a cura de doenças degenerativas, como a esclerose múltipla, o Mal de Parkinson e de doenças da medula espinhal que incapacitam movimentos e prejudicam a qualidade de vida.

A terapia celular também abre portas para uma série de outros benefícios, dentre os quais estão relacionados a possibilidade de diminuir as intervenções cirúrgicas e, no caso dos transplantes, desenvolver órgãos e tecidos em laboratório, acabando com os problemas de rejeição. Também na área de Reprodução Assistida, a pesquisa com células-tronco aponta para grandes avanços, trazendo esperança para casais inférteis com problemas na produção de óvulos e espermatozóides.

Estudos já estão sendo conduzidos visando a regeneração de tecidos ovarianos e testiculares e a formação de óvulos e espermatozóides de boa qualidade. Estas pesquisas representam para os casais inférteis, que hoje recorrem a procedimentos como a ovodoação, a chance de ter filhos com seus próprios espermatozóides e óvulos. Precisamos avançar muito neste campo.

A capacidade da regeneração dos tecidos com o emprego das células-tronco representa um potencial revolucionário. Apesar do entusiasmo inicial de pesquisadores e da população são necessárias muitas pesquisas, políticas de incentivo e respeito à ética para que se desenvolvam novas formas de tratamento que possam amenizar o sofrimento dos pacientes.

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Dr. Renato Kalil

Diretor Clínico

CRM-SP 62703