Câncer de testículo interfere na capacidade reprodutiva masculina



Dois em cada mil brasileiros terão algum tipo de câncer em 2010. A estimativa é do Instituto Nacional do Câncer (Inca), que prevê 489.270 novos casos da doença no ano que vem. Deste total, 52% atingirão mulheres e 48%, homens. Nos homens, os cânceres mais frequentes são de próstata (29%), pulmão (10%) e estômago (8%). Entre as mulheres, o de mama (26%), colo do útero (10%) e intestino (8%).

As neoplasias do trato urinário que interferem diretamente na fertilidade masculina são os cânceres de testículo, próstata, uretra, pênis, bexiga e vesículas seminais. É importante informar a população masculina sobre as formas de prevenção e tratamento destas doenças. Seja pelos efeitos diretos que elas provocam na produção dos espermatozóides - como no caso do câncer de testículo - ou pelos danos relacionados com os tratamentos envolvendo a radioterapia e a quimioterapia.

Os avanços nos tratamentos contra o câncer, envolvendo cirurgias, radioterapia e quimioterapia, além das tecnologias para a preservação da fertilidade - como a criopreservação de sêmen, os estudos preliminares de enxerto testicular e o transplante de células germinativas - têm possibilitado à medicina oferecer opções de preservação da fertilidade para os indivíduos com câncer que desejam ter filhos. É importante que urologistas e oncologistas conheçam e informem a estes pacientes as opções disponíveis para a preservação da fertilidade.

Câncer de testículo

Os testículos fazem parte do órgão reprodutivo masculino e são responsáveis pela produção dos espermatozóides. O câncer de testículo é um tumor menos freqüente, mas tem o agravante de ter maior incidência em pessoas jovens e em idade produtiva. Segundo o INCA, dentre os tumores malignos do homem, 5% ocorrem nos testículos. O câncer de testículo atinge principalmente homens entre 15 e 50 anos de idade. Sua incidência é de três a cinco casos para cada grupo de 100 mil indivíduos. 

Quando comparado com outros cânceres que atingem o homem, como o de próstata, o câncer de testículo apresenta baixo índice de mortalidade. O fato de ter maior incidência em pessoas jovens e sexualmente ativas possibilita a chance do câncer de testículo ser confundido ou até mesmo mascarado por orquiepididimites, que são inflamações dos testículos e dos epidídimos, geralmente transmitidas sexualmente.

O sintoma mais comum para o seu diagnóstico é o aparecimento de um nódulo duro, geralmente indolor, aproximadamente do tamanho de uma ervilha. Mas, ao perceber qualquer massa que não tenha sido verificada anteriormente, o paciente deve procurar um urologista imediatamente, pois a alteração encontrada pode se tratar somente de uma infecção ou não, sendo importantíssimo o correto diagnóstico. No caso de um tumor, o diagnóstico precoce aumenta as chances de cura. Deve-se ficar atento também a outros sintomas, como aumento ou diminuição no tamanho dos testículos, dor imprecisa no abdômen inferior, sangue na urina e aumento ou sensibilidade dos mamilos.

Se por um lado o câncer de testículo é uma doença agressiva, com alto índice de duplicação das células tumorais, que podem levar à rápida evolução da patologia, por outro lado, a doença é de fácil diagnóstico e um dos tumores com maior índice de cura, visto ser altamente responsivo aos quimioterápicos disponíveis no momento. Atualmente, o câncer de testículo é considerado um dos mais curáveis, principalmente quando detectado em estágio inicial.

O tratamento inicial da doença é sempre cirúrgico e ocorre através de um pequeno corte no abdome, quando se expõe o testículo e a biópsia é realizada. Nos casos de confirmação do câncer é procedida a retirada do testículo, o que não afeta a função sexual ou reprodutiva do paciente, caso o paciente tenha o outro testículo normal. A complementação do tratamento dependerá da pesquisa que será realizada para identificar a presença ou a possibilidade de disseminação da doença para outros órgãos. O tratamento posterior poderá ser cirúrgico, radioterápico, quimioterápico ou através de controle clínico.

Os principais fatores de risco para o desenvolvimento de câncer de testículo são: histórico familiar deste tumor, lesões e traumas na bolsa escrotal e a criptorquidia. Na infância é importante que o urologista verifique se ocorreu normalmente a descida dos testículos para a bolsa escrotal. Na idade adulta, a principal forma de prevenção é o auto-exame dos testículos. O auto-exame dos testículos deve ser propagado entre a população masculina, pois é um hábito muito importante na prevenção deste tipo de câncer e deve ser realizado mensalmente.

Auto-exame dos testículos

O auto-exame é uma forma eficaz de detectar o câncer do testículo em seu estágio inicial, o que aumenta as chances de cura. Deve ser realizado mensalmente, sempre após um banho quente. O calor relaxa o escroto e facilita a observação de anormalidades. Conheça a seguir as orientações do INCA para a realização do exame:

O que procurar?

1) Qualquer alteração do tamanho dos testículos;

2) Sensação de peso no escroto;

3) Dor imprecisa em abdômen inferior ou na virilha;

4) Derrame escrotal, caracterizado por líquido no escroto;

5) Dor ou desconforto no testículo ou escroto.

Como fazer?

1) De pé, em frente ao espelho, verifique a existência de alterações em alto relevo na pele do escroto;

2) Examine cada testículo com as duas mãos. Posicione o testículo entre os dedos indicador, médio e o polegar;

3) Revolva o testículo entre os dedos; você não deve sentir dor ao realizar o exame. Não se assuste se um dos testículos parecer ligeiramente maior que o outro, isto é normal;

4) Ache o epidídimo, pequeno canal localizado atrás do testículo e que coleta e carrega o esperma. Se você se familiarizar com esta estrutura, não confundirá o epidídimo com uma massa suspeita. Os tumores malignos são freqüentemente localizados lateralmente aos testículos, mas também podem ser encontrados na porção ventral.

Preservação da fertilidade do paciente com câncer

Recentemente, o Comitê de Ética da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva publicou novo parecer, alertando os médicos sobre a sua responsabilidade em orientar os pacientes oncológicos sobre as opções para a preservação de sua fertilidade. Com o aumento da prevalência de diversos tipos de câncer em todo o mundo e devido à melhora do prognóstico terapêutico desta doença, vem aumentando a demanda por tratamentos e por opções que possam preservar a fertilidade dos pacientes jovens. 

As técnicas e estudos experimentais existentes para a preservação da fertilidade do paciente com câncer incluem:

1) A supressão gonadal hormonal;

2) A criopreservação do sêmen;

3) A criopreservação de parênquima testicular obtida por biópsia ou hemicastração e o subseqüente enxerto testicular,e;

4) O transplante de células germinativas.

A supressão gonadal com hormônios ou análogos hormonais é, ainda, considerada uma técnica experimental e não oferece resultados muito consistentes. Já a criopreservação de parênquima testicular e o subseqüente enxerto e o transplante de células germinativas, embora muito recentes, e, ainda consideradas técnicas experimentais, já oferecem perspectivas mais promissoras para a preservação da fertilidade não só de adultos, mas, especialmente de crianças e adolescentes acometidos pelo câncer.

Criopreservação

A criopreservação de sêmen é a técnica consagrada, utilizada há mais de 40 anos, para a preservação da fertilidade dos pacientes oncológicos", afirma o andrologista. O método mais utilizado é o congelamento em vapor de nitrogênio líquido e o armazenamento em nitrogênio líquido. O sêmen é congelado gradualmente até -79ºC, sendo depois estocado no nitrogênio líquido a -196ºC. Cerca de 25-50% dos espermatozóides móveis tornam-se imóveis após o descongelamento. "Apesar disto, uma vez congelados, a vitalidade dos espermatozóides mantém-se constante, mesmo após longos períodos de congelamento.

A qualidade do sêmen antes da criopreservação parece ser o fator mais importante para determinar o potencial de sobrevida após o descongelamento, sendo as amostras com baixa qualidade inicial, como no caso do câncer de testículo, as mais crio-sensíveis. Era necessário que existissem mais de 20 milhões de espermatozóides móveis após o descongelamento, para que as chances de gravidez fossem adequadas, ou seja, ao redor de 20% por tentativa, quando se utilizava a técnica de inseminação intra-uterina. Com os avanços nas técnicas de reprodução assistida, especialmente a injeção intracitoplasmática do espermatozóide (ICSI), tais parâmetros tornaram-se obsoletos e resultados muito satisfatórios, ao redor de 40% de sucesso por tentativa, são obtidos utilizando-se amostras de sêmen com qualidade muito deprimida.

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Dr. Renato Kalil

Diretor Clínico

CRM-SP 62703