Associação de parâmetros anormais de reserva ovariana com a maior incidência de aneuploidias em blastocistos



A mulher tem cerca de 25% de chances de conceber por ciclo ovulatório. As chances de gravidez por ciclo de fertilização in vitro é maior do que os 25% mas está longe de ter a eficácia de 100%.

Falhas na implantação estão quase sempre relacionadas com problemas embrionários. Anomalias genéticas são comuns e as taxas de aneuploidias crescem com a idade. Embriões que apresentam aneuploidias podem ter desenvolvimento inicial normais e tornarem-se blastocistos. Através do microscópio é impossível diferenciar um embrião geneticamente viável de um embrião com aneuploidia.
 
Os médicos e embriologistas especialistas em reprodução assistida estão cada vez mais interessados em identificar quais são os embriões geneticamente saudáveis. Hoje encontra-se disponível no mercado os testes de Hibridação Genômica Comparativa (CGH), uma técnica de Diagnóstico Pré-Implantacional (PGD) que estuda os 24 cromossomos do corpo humano. Essa técnica é capaz de identificar todas as anomalias cromossômicas chamadas aneuploidias, que são alterações no número de cromossomos, causados por erros na divisão celular. Entre as aneuploidias mais conhecidas estão a Síndrome de Down, Patau, Edwards, Klinenfeter e Turner.
 
Alguns estudos recentes sugerem que a mulher que possui reserva ovariana anormal produz mais embriões com aneuploidias. Se isso for verdade, o diagnóstico de baixa reserva ovariana servirá como indicação para o PDG – CGH.
 
Foram realizados testes com 372 mulheres com falhas recorrentes em processos de reprodução assistida – 279 apresentavam níveis normais de Hormônio Anti-Mülleriano (HAM), ou seja, reserva ovariana normal; e 93 apresentavam resultados anormais de HAM. As mulheres com baixa reserva ovariana tinham altas taxas de Hormônio Folículo Estimulante e baixas taxas de HAM.
 
Os embriões formados pelas mulheres testadas foram biopsiados no 5º dia e foram implantados apenas os embriões geneticamente viáveis. As mulheres com baixa reserva ovariana precisaram de mais medicamento durante a fase de estimulação, produziram menos óvulos e tiverem menos blastocistos para serem testados. A taxa de aneuploidia neste grupo foi maior do que no de mulheres com reserva ovariana normal, 66% contra 51,7%. Um terço das mulheres com baixa reserva ovariana só produziram embriões não saudáveis, sendo assim não houve transferência embrionária. As taxas de gestação e de nascimentos vivos não foram significativamente diferentes.
 
É especialmente importante para mulheres com mais de 40 anos, que tendem a produzir mais embriões com aneuploidias, saber que quando o número de embriões for pequeno, o risco de cancelamento do ciclo por falta de embriões geneticamente saudáveis para transferência aumenta. Estas mulheres devem optar pela ovodoação, ou seja, ela vai utilizar óvulos doados por mulheres mais jovens. Este procedimento é previsto por lei e aumenta muito as taxas de sucesso da fertilização in vitro.

Ainda se faz necessária a realização de estudos adicionais para avaliar a associação entre a baixa reserva ovariana e a formação de embriões com aneuploidias.
 

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Dr. Renato Kalil

Diretor Clínico

CRM-SP 62703