Terapia hormonal precoce dobra risco de câncer de mama



Mulheres que usaram hormônios antes ou no início da menopausa têm o dobro de risco de desenvolver câncer de mama em comparação àquelas que nunca usaram.
A conclusão é de um amplo estudo inglês, da Universidade de Oxford, com 1,13 milhão de mulheres entre 50 e 59 anos, que adotaram a TRH (terapia de reposição hormonal) combinada (estrógenos e progesterona).
Esse é mais um capítulo na polêmica novela da terapia hormonal. Em 2002, o estudo Women Health's Initiative mostrou que a TRH aumentava os riscos de câncer da mama, mas dizia que ele surgia após cinco anos de uso.
Em 2009, outro estudo reduziu o período de segurança para dois anos. Desde então, há médicos indicando a terapia mais cedo, até antes do início da menopausa.
Publicado no "The Journal of National Cancer Institute", o novo estudo inglês mostrou que entre as mulheres que nunca fizeram a terapia hormonal, a taxa de risco para o câncer foi de 0,3%.
O índice passou para 0,46% em mulheres que começaram a tomar os hormônios cinco ou mais anos após a menopausa começar. Já entre aquelas que adotaram a terapia antes ou até cinco anos após a menopausa, a taxa foi para 0,61%.
Segundo a autora principal do estudo, Valerie Beral Dame, professora de Oxford, o risco continuou aumentado em mulheres que tomaram a droga por menos de cinco anos. "A questão não é o intervalo de uso, mas o tipo de terapia hormonal que as mulheres usam." A terapia só com estrógeno demonstrou ter menos risco.
Para o ginecologista César Eduardo Fernandes, presidente da Sogesp (sociedade de ginecologia paulista), os benefícios da terapia hormonal ainda suplantam "folgadamente" os riscos.
Nos primeiros anos de menopausa, as mulheres sofrem uma aceleração do processo aterogênico, por conta da alteração do metabolismo das gorduras e dos açúcares, além de perda óssea.
"Os sintomas incidem nessa época. É quando as mulheres têm as ondas de calor, sono alterado, fadiga e irritabilidade. Essa é a época apropriada para entrar com a terapêutica hormonal", diz ele.
O ginecologista Renato Kalil concorda. "Não tem jeito. Se a massa óssea está despencando e a qualidade de vida está piorando por conta dos sintomas, tem que entrar com a terapia hormonal."
Fernandes reconhece, porém, que o trabalho inglês "joga uma mácula" sobre os benefícios da terapia hormonal no início da menopausa.
Edmundo Baracat, professor da USP, diz que o estudo é importante, mas que os resultados precisam ser confirmados por outros para que haja mudança de conduta.
FONTE: FOLHA DE SÃO PAULO


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Dr. Renato Kalil

Diretor Clínico

CRM-SP 62703