Estou grávida, e agora?



Um dos períodos mais sublimes para a mulher deve ser acompanhado, muito de perto, por uma equipe multidisciplinar

O casal esteve tentando ter um filho há alguns meses. É quase impossível esconder a ansiedade. De repente, a menstruação da mulher atrasa. É uma reação natural correr até a farmácia e lançar mão de um teste de gravidez. A alegria explode junto com o resultado positivo. 

A partir deste momento, é fundamental marcar uma consulta com um obstetra. Ele, certamente, pedirá a confirmação por meio do exame BHCG (relativo ao hormônio produzido no início da gravidez). Depois, serão solicitados também outros exames: hemograma, parasitológico, de urina, glicemia, citologia vaginal, tipagem sanguínea, VDRL, imunofluorescência para toxoplasmose, citomegalovírus, de rubéola, hepatite e HIV. 

"Com seis semanas da data da última menstruação, é preciso fazer a ultrassonografia endovaginal, que avalia o bem-estar da gestação, o saco gestacional e os batimentos cardíacos do embrião", explica o obstetra e ginecologista Renato Kalil, especialista em reprodução humana. 

Importância da nutrição correta

"O controle do peso deve acontecer desde o início, para que sejam evitados problemas como diabetes gestacional e hipertensão, que afetam a saúde materna e fetal. O ganho de peso ideal é de 400 gramas até a 10ª semana, 4 quilos até a 20ª semana e de 8 a 12 quilos até o final da gestação", aconselha Kalil.

Nutricionista e sócia da Rumo Assessoria em Qualidade de Vida, Neusa de Fátima Moura considera que o mais importante é ter uma alimentação variada e equilibrada, composta em sua maior parte por frutas, hortaliças, carboidratos integrais (arroz e pães integrais, aveia), rica em proteínas (carnes, peixes, ovos, laticínios), com quantidades moderadas de gorduras saudáveis (azeite, castanhas) e com quantidades reduzidas de açúcares (doces, refrigerantes, mel). 

A nutricionista ressalta que as proteínas contribuem para o crescimento do feto, da placenta e de outros tecidos maternos (mamas, útero). O cálcio deve sempre ser considerado no cardápio, pois auxilia na formação dos ossos e dentes do bebê. Deve-se consumir quatro porções de alimentos ricos em cálcio diariamente. O ferro é outro nutriente parceiro da grávida - ele evita a anemia materna, que é causa de mortalidade da mãe, parto prematuro e baixo peso do bebê. 

Mentiras e Verdades

A mulher grávida não deve dar ouvidos a tudo o que lhe é dito. Há tantas lendas que envolvem a gravidez que as mães mais influenciáveis podem até manifestar medo. Convenhamos: há certas verdades, mas também há muitas mentiras. Vamos a elas:

· Se o bebê for grande, a mãe terá de fazer cesárea.

Mentira. A via do parto depende mais da avaliação adequada da pelve materna (bacia) e também das condições psicológicas da gestante.

· Azia excessiva significa que o bebê será cabeludo.

Mentira. Este problema é causado por um refluxo de ácido clorídrico, resultado da compressão do estômago e do esôfago pelo útero. 

· Passar bucha nos mamilos durante a gravidez evita que se rachem na amamentação.

Verdade. Esta prática fortalece os mamilos. Também há produtos à venda em farmácias que também os protegem.

· A pele da grávida ficará manchada se ficar exposta ao sol.

Verdade. Por isso é fundamental o uso de protetor solar.

· Risco preto na barriga indica que o bebê terá pele bem morena.

Mentira. Esta marca é chamada de linha nigra e decorre do depósito de melanina na região, natural durante a gestação. Ela deverá desaparecer após o parto.

· O cabelo voltará a ser como era antes da gestação.

Verdade. Algumas mulheres com cabelos ondulados acabam ficando com as madeixas mais lisas, e vice-versa. É uma mudança passageira. Após o parto, haverá grande queda dos fios, devido à baixa de hormônios, mas depois de alguns meses tudo tende a voltar ao normal.

· A gestante não pode usar produtos químicos no cabelo.

Mentira. As henas e os tonalizantes estão liberados. As tinturas sem iodo e as luzes feitas com descolorantes são permitidas após a 16ª semana. Apenas a escova progressiva está proibida.

· A mãe que engorda muito terá um bebê grande.

Mentira. Essa relação nem sempre ocorre. O perigo do excesso de peso é a diabetes gestacional e outras doenças, por isso a gestante deve manter a alimentação balanceada.

· Permanecer sem comer por longo período piora o enjoo.

Verdade. O estômago vazio secreta ácido, que aumenta o enjoo. Além disso, a grávida corre o risco de desenvolver hipoglicemia e, consequentemente, diabetes gestacional.

· Exercícios físicos durante a gravidez fazem mal.

Mentira. Atividades físicas leves são muito saudáveis na gestação, exceto se a gestante tiver problemas de saúde, como alterações na coluna ou no coração. 

· A grávida pode manter uma vida sexual ativa.

Verdade. Não há perigo de o pênis machucar o bebê, já que ele está protegido na bolsa. O sexo só deve ser evitado se houver problemas como descolamento da placenta e pressão alta.

· Barriga pontuda indica que será menino, e barriga redonda indica que será menina.

Mentira. Não há qualquer estudo que comprove isso. É apenas crença popular.

· A diminuição de pelos significa que a gestante terá uma menina.

Mentira. A redução de pelos em algumas gestantes tem relação direta com o metabolismo hormonal na gravidez e não com o sexo da criança.

· Consumir cafeína durante a gravidez não faz mal.

Mentira. A cafeína ingerida pela mãe chega à corrente sanguínea e atravessa a barreira placentária, passando para o líquido amniótico e o sangue do cordão umbilical do bebê. Portanto, moderação no consumo da substância.

· É normal sangrar muito no pós-parto.

Verdade. O fluxo começa intenso, mas diminui e clareia com o passar dos dias.

· Não se pode lavar a cabeça enquanto houver hemorragia no pós-parto.

Mentira. Em qualquer ocasião, a higiene é fundamental. 

· Cólicas são comuns no pós-parto.

Verdade. O útero se contrai naturalmente para prevenir hemorragias e voltar ao tamanho pré-gestacional.

· A mulher deve ingerir canjica e cerveja preta para aumentar a produção de leite.

Mentira. Para isso, o mais importante é beber muito líquido. Vale lembrar que quanto mais o bebê mama, mais estimula a produção do leite.

· Comer chocolate provoca cólicas no bebê.

Verdade. Quem amamenta deve evitar a ingestão não só de chocolates mas também de refrigerantes, café e outros alimentos nocivos ao aparelho digestivo do bebê.

FONTE: PORTAL GUIA DA FARMÁCIA


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Dr. Renato Kalil

Diretor Clínico

CRM-SP 62703