De 92% e 96% dos partos realizados em hospitais particulares de SP são por cesarianas



O Dia das Mães está chegando e Trip FM desta semana se dedica a falar de um assunto muito importante para as mães e aspirantes ao cargo: a saúde da mulher. Com participação da equipe da redação da revista Tpm, nosso programa conversa com um dos maiores especialista em ginecologia e obstetrícia do país, Renato Kalil. O médico que trabalha nos hospitais Albert Einstein, Sírio Libanês e São Luiz já fez partos de socialites, empresárias, modelos e de algumas das mais famosas celebridades do Brasil.

Calil veio aos nossos estúdios e falou sobre diversos assuntos relacionados à saúde da mulher, especialmente sobre os números de cirurgias cesarianas realizadas por aqui. As estatísticas alarmantes da Organização Mundial de Saúde (OMS) já aponta que nosso país é recordista mundial na modalidade, com quase 80% de todos os partos no país sendo realizados através desta cirurgia, quando a própria OMS recomenda que os números nacionais para cesarianas não passe de 15%.

"A gente está em uma fase meio de transição. Existem ainda aquelas famílias que são relutantes ao parto normal. Eles pensam no pra que: pra que correr riscos, com dores ou não, pra seguir com uma tradição? Então pelo amor de deus me opera logo", comentou o especialista sobre a reação das pessoas ao parto normal. "Mas por outro lado, muitas mulheres estão tomando consciência que o parto normal é importante. Tanto para a recuperação materna quanto para o nascimento fetal e para o bem estar fetal e até para a própria amamentação."

"Essa opção (da cesariana) está ligada a vários fatores. Primeiro que o médico sai sem campo de trabalho. Aliás, primeiro que a quantidade de formação de médicos é monstruosa e talvez sem a condição ideal de educação para todos. Esse médico chega no mercado sem trabalho. Então ele não tem clientes e os convênios não querem cadastrá-lo. Então ele não tem clínica, não tem hospital de referência para ele trabalhar", disparou Kalil contra a má administração do ensino e do mercado de trabalho no Brasil. "E no parto normal existe mais margem para os erros. Nem tanto a riscos cirúrgicos. Mais aos erros e dificuldades técnicas. Esse números de cesárias tem tudo a ver com as escolhas dos médicos."

Detonando a má formação de muitos profissionais da saúde, o obstetra ainda comentou que entre 92% e 96% dos partos realizados em hospitais particulares de São Paulo são através de cesarianas. E os números só não são mais assustadores do que a explicação de Kalil. Em um mercado inundado de profissionais sem condições de remuneração e trabalho adequado, tanto na rede pública quanto na particular, a lei do menor esforço acaba tomando conta de uma área onde, literalmente, todo o cuidado é pouco. 

"Além da insegurança desse médico, da falta de tempo dele, a queixa de baixa remuneração, que é igual para o normal ou a cesariana. Eles logo pensam: 'pra que é que eu vou perder 14 horas em um parto normal, com meu consultório lotado, onde eu tenho que atender 30 pacientes por dia, sendo que com a cesariana eu vou ganhar a mesma coisa?' Então por que não marcar a cesariana na hora do almoço, onde o médico almoça no centro cirúrgico de graça, e assim não perde tempo do seu consultório, nem o feriado, nem o final de semana. Então juntou a falta de mão, com falta de tempo e com a tradição." 

O Trip FM vai ao ar na grande São Paulo às sextas às 20h, com reprise às terças às 23h pela Rádio Eldorado Brasil 3000, 107,3MHz. Logo depois do fim do programa na rádio, você também pode ouvir aqui no site da Trip.

Quer ver esta entrevista? Acesse:
http://youtu.be/cwYDVOXmFXo


FONTE: REVISTA TRIP


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Dr. Renato Kalil

Diretor Clínico

CRM-SP 62703