Cesariana: prós e contras



Se você acredita em numerologia e quer escolher a data mais bonitinha ou favorável para o nascimento do seu bebê, então certamente já optou pela cesariana como método para dar à luz. O Brasil é um dos países campeões neste tipo de parto, e não só por causa de crendices. Só para se ter uma idéia, cerca de 20% dos partos nos Estados Unidos são cesariana, enquanto no Brasil, nos hospitais públicos, este número pode chegar a 80%.

- O parto normal sempre deve ser tentado, independente da idade da paciente. No entanto, muitas vezes por medo do obstetra ou pela praticidade da operação, a cesariana acaba sendo a opção mais freqüente - afirma o ginecologista Renato Kalil.

Realmente, a cesariana é mais prática no aspecto de tempo. O procedimento dura cerca de 40 a 45 minutos, enquanto que um parto normal pode durar horas. - Já fiquei das 5h da manhã às 7h da noite em um verdadeiro trabalho de parto _ conta o ginecologista.

No entanto, as vantagens do parto normal suplantam as da cesariana.
- Em uma cesariana, o sangramento é três vezes maior e existe o problema do trauma cirúrgico, que torna a recuperação da mulher mais lenta em relação ao parto normal. As questões de que o bebê é muito grande para sair naturalmente e que o segundo parto tem que ser cesariana se o primeiro também foi são lendas. Tem-se que deixar o trabalho de parto evoluir para na hora escolher o método - garante o médico.

Quando a cesárea é a solução

Apesar de o parto normal apresentar mais vantagens tanto para a mãe quanto para o bebê, nem sempre é o mais seguro. Muitas vezes, a cesariana torna-se imprescindível e também o tipo de parto mais indicado, uma vez que várias complicações podem surgir na hora H, impedindo o procedimento natural.

Nesses casos, a cirurgia é sempre indicada

- Há casos em que a cesariana é a melhor opção, quando a mãe tem contra-indicação cardiológica, de esforço ou qualquer outro problema que a impeça de ter o bebê naturalmente - explica.

Outras situações, como gestação múltipla e problemas de posicionamento do feto, cordão umbilical enrolado no pescoço, entre outros também pedem a execução da cirurgia. 
- Tive meus dois filhos de cesariana. Tentei ter normal, mas não tive contrações, e o bebê já estava correndo risco. O médico optou pela cesariana - afirma a professora Cláudia Lessa, 65 anos, mãe de dois filhos.

Na época, Cláudia teve um corte que ia do umbigo à região pubiana e aparecia quando ela ia à praia, fazendo com que tivesse que usar maiô. Felizmente, a técnica da cesariana evoluiu muito nos últimos anos, até mesmo em função de ser uma prática freqüente, e está bem mais avançada. Problemas com anestesia, que eram comuns, ou com as incisões, por exemplo, hoje em dia, já não acontecem. São raras as complicações, e os riscos de infecção diminuíram sensivelmente, já que o tempo de cirurgia, que antigamente durava mais de duas horas, também diminuiu. 

Recuperação leva duas semanas

A anestesia utilizada geralmente é a intradural com morfina, que em 36 horas elimina a dor cirúrgica. A recuperação da cesariana se dá em cerca de duas semanas, quando a mulher já pode até dirigir. Depois de um mês, estão liberadas atividades mais intensas, como caminhadas, bicicleta e relações sexuais. Com relação aos pontos, nada de cuidados especiais: são utilizados fios agulhados e sutura subdérmica, ou seja, a camada superficial da pele não recebe pontos e a limpeza se faz normalmente, com água e sabonete.

O bebê sofre menos com o trabalho de parto da cesariana, embora o estresse do trabalho de parto natural seja importante para estimular a respiração e a sucção, além da produção do leite materno. 

A facilidade para o médico que não tem risco de ter que fazer um parto de madrugada, por exemplo, e para a mãe que pode se programar, fizeram com que a cesariana ganhasse muitos adeptos. Mas a escolha por esse tipo de parto tem que ser consciente e, principalmente, necessária. Se a mãe ou o bebê possuem algum tipo de problema que impeça o parto normal, a realização da cesariana se torna necessária. Mas, se estiver tudo bem, o melhor é conversar muito com o seu obstetra e com o seu marido, antes de tomar qualquer decisão. Afinal, a cesariana é uma intervenção cirúrgica, e mesmo com toda tecnologia e evolução da ciência, contém riscos como qualquer outra.




CONSULTORIA

Renato Kalil - Ginecologista e obstetra. 



FONTE: SITE FEMINÍSSIMA


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Dr. Renato Kalil

Diretor Clínico

CRM-SP 62703