Amamentação na primeira hora de vida



Incrível como a maternidade gera polêmica. Enquanto a maioria das mulheres faz cesárea, muitas lutam com toda a força pelo parto normal (e acham um absurdo quem decide, desde o início da gravidez, fazer cesárea).

Umas comem comidas cruas, outras não querem nem ouvir falar em kibe cru ou sushis e sashimis.

Algumas futuras mães nem interrompem os exercícios físicos quando descobrem a gravidez. Outras passam os nove meses sem malhar "para não ter nenhum problema ao feto".

Outro assunto que gera polêmica é a amamentação. Tenho amigas que decidiram não amamentar para não deixar o peito cair. Elas sabem que acho um absurdo isso, então posso falar aqui tranquilamente. Quero amamentar por, no mínimo, seis meses. Além de todos os benefícios do leite materno para o bebê (e da amamentação para a mãe), o vínculo mãe-bebê com certeza é fortalecido com esse ato.

Abaixo um artigo escrito pelo meu obstetra, o dr. Renato Kalil, sobre a importância da amamentação na primeira hora de vida.

"O Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Pediatria promoveram, em agosto de 2007, a campanha "Amamentação na Primeira Hora, Proteção sem Demora", em comemoração à Semana Mundial de Aleitamento Materno. Instituições e profissionais da área de saúde maternoinfantil deveriam se empenhar muito mais para a divulgação e a adoção dessa idéia.

O contato precoce do recém-nascido com a mãe e a mamada na primeira hora de vida são fundamentais para ambos. Trata-se de um momento em que o psiquismo do bebê está muito estimulado, excitado. O parto significa uma grande mudança na vida do feto e, sobretudo, uma separação brusca de sua mãe, seu único "porto seguro". Afinal, ele usufruiu de proteção, alimentação e temperatura ideais dentro do ventre materno por longos nove meses. Ao nascer, o bebê é capaz de identificar logo o cheiro, o calor , a voz e os batimentos cardíacos da mãe. Precisa ser levado a ela o quanto antes para se sentir seguro e protegido. Em contato com o corpo materno, o bebê logo abre os olhos, se tranqüiliza, procura e abocanha o mamilo e mama.

Mamar o colostro da mãe logo ao nascer representa receber uma enorme "injeção" de imunidade. Previne o aparecimento de doenças como alergias, infecções e diarréia - uma das principais causas de mortes de crianças nos primeiros meses de vida - pelo adequado controle e equilíbrio das bactérias que se desenvolvem em seu intestino. Para a mãe, poder amamentar o bebê na primeira hora de vida é um passo fundamental para fortalecer o vínculo afetivo mãe/filho.

A sucção precoce do recém-nascido também diminui o risco materno de hemorragias pós-parto e antecipa a apojadura, ou "chegada do leite". Em geral, os bebês que têm essa oportunidade mamam com mais eficácia e suas mães têm menos problemas como fissuras mamilares e o ingurgitamento mamário, ou "peito empedrado". As mulheres que amamentam na primeira hora têm também menor risco de apresentar câncer de mama e de ovário, anemia e depressão pós-parto.

Infelizmente, a maioria das crianças não é amamentada na primeira hora de vida e apenas 38 países estão engajados na campanha! Em geral, as maternidades não dispõem de estrutura para tal. A rotina hospitalar afasta os bebês das mães, pois são levados para o berçário após o primeiro exame, que é feito pelo pediatra. Assim, as mães têm um contato rápido com o filho e só poderão amamentá-lo cerca de seis horas após o nascimento. É necessário ter um profissional, em geral uma enfermeiraobstetra, para promover o contato precoce e a mamada na primeira hora, a fim de assegurar o bemestar do bebê e da mãe e aproveitar a oportunidade para instruí-la sobre a amamentação. O médico também pode favorecer a iniciativa; tenho minha enfermeira, Miriam Leal, que cuida também disso nos partos que realizo.

Dados mundiais apontam que, dos 10,9 milhões de mortes de menores de 5 anos que ocorrem anualmente, 4 milhões são no primeiro mês de vida. Pesquisa recente apurou que, se todas as mulheres iniciassem a amamentação na primeira hora, 1 milhão de mortes de recém-nascidos poderiam ser evitadas.

Como se vê, a amamentação na primeira hora pode ser decisiva para o bem-estar futuro tanto do recém-nascido quanto de sua mãe."

Renato Kalil, médico ginecologista e obstetra na capital paulista, integra o staff do Hospital e Maternidade São Luiz e é membro da American Academy of Family Physicians.

FONTE: CLIC RBS


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Dr. Renato Kalil

Diretor Clínico

CRM-SP 62703