Retrospectiva 2012 - Parte I



O ano de 2012 foi marcado pelo lançamento de tendências importantes nas áreas de ginecologia, obstetrícia e saúde da mulher. As principais organizações médicas norte americanas emitiram orientações sobre exames de prevenção, gestão de sintomas da menopausa, assuntos relacionados à gravidez e sobre os riscos e protocolos de medicina reprodutiva. 

Dividiremos a retrospectiva em duas partes: a primeira parte abordará aspectos da ginecologia e obstetrícia; e, a segunda parte trará notícias no campo da reprodução assistida.


DETECÇÃO DO CÂNCER DO COLO DO ÚTERO: ATUALIZAÇÃO DA SOCIEDADE AMERICANA DE OBSTÉTRAS E GINECOLOGISTAS

Ferramentas de detecção eficazes estão disponíveis para apenas algumas neoplasias, uma delas o câncer cervical. Quando utilizadas de forma adequada, as ferramentas de detecção estão associadas à uma redução significativa da incidência e mortalidade. No entanto, quando usadas em demasia, podem levar a intervenções desnecessárias. Portanto, para o uso dessas ferramentas, é importante uma análise da idade e do histórico da paciente. 

Além disso, mulheres com idade entre 21 e 65 anos, com alguma imunodeficiência ou com histórico relacionado à doença devem ser examinadas mais frequentemente. Após os 65 anos, exames de rotina devem ser mantidos apenas se houver histórico de câncer cervical nos últimos 20 anos. 


TERAPIA HORMONAL: RISCOS E BENEFÍCIOS

A NAMS (North American Menopause Society) atualiza regularmente suas orientações em relação à tratamentos para menopausa. Com base em pesquisas recentes, a NAMS confirmou em 2012 a tendência de redução significativa no uso da terapia de reposição hormonal. Contudo, fica cada vez mais evidente que este tipo de tratamento é o mais eficaz para determinados sintomas da menopausa e, quando se inicia logo após a menopausa, não está associada ao aumento do risco de complicações cardiovasculares. Esta orientação deve ajudar os profissionais de saúde a prescreverem a terapia de reposição hormonal para mulheres com sintomas de menopausa, sem o receio de induzir efeitos negativos na saúde.

O que poderia parecer controverso em um primeiro olhar já não é contraditório quando se analisa os dados mais a fundo. Admite-se agora a "hipótese do tempo", isto é, quanto antes se inicia o tratamento de reposição hormonal para a menopausa, mais efeitos positivos na saúde dos vasos sanguíneos são observados. O início precoce do tratamento também pode estar associado a benefícios clínicos para a paciente. Por outro lado, quando o tratamento se inicia tardiamente, em casos em que a ateroesclerose ja está presente, o estrogênio pode acelerar o crescimento de placa, levando a ruptura desta e, portanto, aumentando o risco de doença arterial coronariana.


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Dr. Renato Kalil

Diretor Clínico

CRM-SP 62703